28.4.12

é em brasileiro, mas não resisti: vale a pena pensar nisto...



Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu um
estranho, recém-chegado à nossa pequena cidade.
 Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com este encantador
personagem, e em seguida o levou a viver com nossa família.
 O estranho, desde então, tem estado connosco.
 Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha
família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.
 Meus pais eram instrutores complementares: Minha mãe me ensinou o que
era bom e o que era mau e meu pai me
ensinou a obedecer.
 Mas o estranho era nosso narrador.
 Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e  comédias.
 Ele sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber
de política, história ou ciência.
 Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!
 Levou minha família ao primeiro jogo de futebol!!!
 Fazia-me rir, e me fazia chorar.
 O estranho nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.
 Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, enquanto o resto de
nós ficava escutando o que tinha que dizer, mas só ela ia à cozinha
para ter paz e tranquilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado
alguma vez, para que o estranho fosse embora).
 Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas o
estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las.
 As blasfémias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em
nossa casa… Nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer
um que nos visitasse. Entretanto, nosso visitante de longo prazo,
usava sem problemas sua linguagem inapropriada que às vezes queimava
meus ouvidos e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar.
 Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas o estranho nos
 animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente.
 Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os
charutos e os cachimbos fossem distinguidos.
 Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários
eram às vezes evidentes, outros sugestivos, e geralmente vergonhosos.
 Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados
fortemente durante minha adolescência pelo estranho.
 Repetidas vezes o criticaram, mas ele nunca fez caso aos valores de
meus pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar.
 Passaram-se mais de cinquenta anos desde que o estranho veio para
nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como
era ao princípio.
 Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus
pais, ainda o encontraria sentado em seu canto, esperando que alguém
quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe
companhia...

 Seu nome?

 Nós o chamamos Televisor...

 Nota:  Pede-se que este artigo seja lido em cada lar.

 Agora ele tem uma esposa que se chama Computador   e um filho que se
chama Celular!

1 comentário:

Ângela Sousa disse...

Adorei! Está fantástico Lili :)